Já há muito tempo que não postava aqui no blog, e deixei de postar com regularidade.
Mas por vezes, sentimos dentro de nós uma necessidade básica e intrinseca do homem: comunicar.
Seja o partilhar de uma alegria, o sufoco de uma dor, o grito da revolta, ou o simplesmente escrever...
Hoje é um daqueles dias em que me apetece subir ao cimo de um monte na lua e mandar o mundo ir dar uma volta. Não daquelas em que ele gira à volta do sol, mas sim ao bilhar grande.
Adoro a minha cadelinha, e é por aqui que gostaria de começar a explicar o meu ponto de vista:
Sei que por muito que ralhe com ela quando se porta mal, ela vai estar sempre ali para mim. Não vai deixar de saltar para cima de mim quando chego a casa, não vai parar de morder as minhas calças de ganga, nem deixar de se agarrar às minhas pernas. Não gosta de mim com um propósito, simplesmente gosta. Não anda sempre atrás de mim porque lhe posso dar isto ou aquilo, nem tão pouco porque sou o amigo que faz favores. Não está sempre ao pé de mim por eu lhe dizer coisas bonitas. É extremamente inteligente mas não percebe tudo o que digo, apenas sente que a amo.
Agora falemos dos amigos, ou melhor, dos conhecidos. Sim, porque a vida ensina-nos que fazer esta distinção que é vital ao nosso bem estar social.
Um amigo é tudo aquilo que um grande amor devia ser. Um conhecido é aquele que não sabe ser amigo. (Pelo menos para mim )
Quantas vezes não tiveram desilusões com amigos? Mas será que os podemos chamar amigos? Não serão "amigos" ? Eu prefiro dizer que são conhecidos. Infelizmente muitos de nós não distinguimos isso a tempo de evitar certas desilusões.
Como diria uma AMIGA minha: amigo é aquele que trai a confiança dos outros para a depositar em nós. Amigos que nos voltam as costas, pisando na nossa dor, amores que se extinguem com o nascer do sol. Eu costumo dizer que estamos a viver a geração do fast food love. Já dizia o "rei" Elvis Presley que, nos temos que correm, uma relação antes de começar já está terminada. Tudo é consumivel e descartável neste "admirável mundo novo". Desde os empregos, às amizades, passando pelos amores, pela música, até às próprias pessoas e identidades.
Já não se namora, anda-se... Tenho saudades de não ter nascido mais cedo. De não viver um grande amor à moda antiga, com a princesa encantada presa no castelo, para a ir salvar no meu cavalo branco, de espada na bainha. Tenho pena de não viver uma grande amizade dos tempos da guerra em que alguém dava a vida por nós. Gostava de ter construido uma casa na árvore cheia de amigos e de segredos.
Gostava de viver até aos 100 anos, de saborear cada pessoa nova que conheço. Gostava de comer uma sandwich sem pressas, gostava de ver o mar sem ter horas de voltar. Gostava que não houvesse dinheiro, gostava que não houvesse computadores. Gostava que houvessem apenas pessoas. Gostava que houvessem sabores eternos. Gostava de voltar a acreditar nos amores eternos ao luar, gostava de acreditar em princesas, em amigos, no Pai Natal, na amizade e no amor eternos. Gostava de acreditar em mim. Gostava de acreditar de novo no mundo. Gostava de conseguir amar de novo.
Gostava que as pessoas fossem reais sem medo de perde-las. Gostava de não ter escrito nada disto, se tudo fosse perfeito.