segunda-feira, janeiro 23, 2006

Escrevo...

Escrevo com saudade. Saudade do que ainda não vivi. Saudade do que há-de vir, e do que anseio. Anseio o melhor que não espero. Porque tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Serei então eu grande de mais para ser compreendido, ou pequeno de mais para não ser ouvido?
Espero um dia poder dar-te a mão e dizer: "vem" e tu vens. Olhar-te nos olhos e dizer-te "Perde-te em mim" e tu perderes-te. Segredar-te ao ouvido "não penses" e tu não pensares. Sempre ouvi dizer que quem teme as tempestades passa a vida a rastejar. Estou longe de me querer abrigar da intempérie... eu enfrento-a de braços abertos, eu caminho, eu luto, eu vou, eu sigo, eu sou. Eu quero tudo o que poder dar e tudo o que poder receber. Quero esta vida porque é única , quero-te a ti porque nunca se tem tudo, nem nunca se é completo. Quero poder ser eu, e quero poder dizer tanta coisa nunca ninguém entenderá...

domingo, janeiro 15, 2006

chuva

E hoje chove. Chove como se o tempo me adivinhasse...
O sol escondeu-se, e resto eu. Eu e estas teclas gastas, cumplices do mesmo fado. Inertes à vontade de quem nos toca.
Apetecia-me sair, e sentar-me à chuva - como se ela pudesse lavar-me e trazer-me de volta o brilho perdido. Ficava ali horas se fosse preciso, só para poder apreciar os pequenos nadas, o toque de cada gota, o espreitar do sol por entre as nuvens, a esperança que o meu céu se torne azul. Ficava à espera do pouco que peço com o muito que dou. Este dia de chuva foi como se alguém dissesse "hey, estou aqui, eu percebo-te". Seja quem for, que chova. Que chova muito.

sábado, janeiro 14, 2006

Consciência

Dá dois passos e eu dou um.

domingo, janeiro 08, 2006

Tu

Após muito tempo afastado das lides da escrita, resolvi voltar a este jardim. Onde um banco nos espera a todos nós, a mim e a vocês que me visitavam e partilhavam comigo o entardecer de um dia qualquer, as alegrias e as tristezas.
Na minha caminhada diária pelo jardim da minha vida, encontrei uma flor que agora partilha este banco de recordações comigo. Devolveu-me o perfume esquecido. É por ti meu amor que volto a escrever, porque tu tens a capacidade de dar vida a estes dedos que voam e escrevem a um ritmo alucinante aquilo que o coração não consegue segurar.
E, num encanto que ninguém traduz, eu quero amar-te, amar-te, amar-te... no raiar do sol, e no adormecer do luar, hoje , amanhã e todos os dias da minha vida.
Acordei hoje com estes numeros na cabeca:


25815
37123
62771
12431
35342

terça-feira, outubro 04, 2005

Gostava

Já há muito tempo que não postava aqui no blog, e deixei de postar com regularidade.
Mas por vezes, sentimos dentro de nós uma necessidade básica e intrinseca do homem: comunicar.
Seja o partilhar de uma alegria, o sufoco de uma dor, o grito da revolta, ou o simplesmente escrever...
Hoje é um daqueles dias em que me apetece subir ao cimo de um monte na lua e mandar o mundo ir dar uma volta. Não daquelas em que ele gira à volta do sol, mas sim ao bilhar grande.
Adoro a minha cadelinha, e é por aqui que gostaria de começar a explicar o meu ponto de vista:
Sei que por muito que ralhe com ela quando se porta mal, ela vai estar sempre ali para mim. Não vai deixar de saltar para cima de mim quando chego a casa, não vai parar de morder as minhas calças de ganga, nem deixar de se agarrar às minhas pernas. Não gosta de mim com um propósito, simplesmente gosta. Não anda sempre atrás de mim porque lhe posso dar isto ou aquilo, nem tão pouco porque sou o amigo que faz favores. Não está sempre ao pé de mim por eu lhe dizer coisas bonitas. É extremamente inteligente mas não percebe tudo o que digo, apenas sente que a amo.
Agora falemos dos amigos, ou melhor, dos conhecidos. Sim, porque a vida ensina-nos que fazer esta distinção que é vital ao nosso bem estar social.
Um amigo é tudo aquilo que um grande amor devia ser. Um conhecido é aquele que não sabe ser amigo. (Pelo menos para mim )
Quantas vezes não tiveram desilusões com amigos? Mas será que os podemos chamar amigos? Não serão "amigos" ? Eu prefiro dizer que são conhecidos. Infelizmente muitos de nós não distinguimos isso a tempo de evitar certas desilusões.
Como diria uma AMIGA minha: amigo é aquele que trai a confiança dos outros para a depositar em nós. Amigos que nos voltam as costas, pisando na nossa dor, amores que se extinguem com o nascer do sol. Eu costumo dizer que estamos a viver a geração do fast food love. Já dizia o "rei" Elvis Presley que, nos temos que correm, uma relação antes de começar já está terminada. Tudo é consumivel e descartável neste "admirável mundo novo". Desde os empregos, às amizades, passando pelos amores, pela música, até às próprias pessoas e identidades.
Já não se namora, anda-se... Tenho saudades de não ter nascido mais cedo. De não viver um grande amor à moda antiga, com a princesa encantada presa no castelo, para a ir salvar no meu cavalo branco, de espada na bainha. Tenho pena de não viver uma grande amizade dos tempos da guerra em que alguém dava a vida por nós. Gostava de ter construido uma casa na árvore cheia de amigos e de segredos.
Gostava de viver até aos 100 anos, de saborear cada pessoa nova que conheço. Gostava de comer uma sandwich sem pressas, gostava de ver o mar sem ter horas de voltar. Gostava que não houvesse dinheiro, gostava que não houvesse computadores. Gostava que houvessem apenas pessoas. Gostava que houvessem sabores eternos. Gostava de voltar a acreditar nos amores eternos ao luar, gostava de acreditar em princesas, em amigos, no Pai Natal, na amizade e no amor eternos. Gostava de acreditar em mim. Gostava de acreditar de novo no mundo. Gostava de conseguir amar de novo.
Gostava que as pessoas fossem reais sem medo de perde-las. Gostava de não ter escrito nada disto, se tudo fosse perfeito.

sábado, setembro 10, 2005

Há quanto tempo

Caminhamos na praia sem rumo à vista
desenhamos na areia anjos sorridentes
tão perto e tão distantes
vimos estrelas cadentes
ao longe, o vento trazia o veleiro
vi o velhinho amor a acenar-me
há quanto tempo...

domingo, setembro 04, 2005

Apenas

Querer-te e não poder
Ser-te mais que alguém e não te ter

Poder abraçar-te eternamente
em noites de estrelas de seda

em luas ermitas e viajantes
em dias chuvosos e céus radiantes
E aqui parar de remar
estender a mão e tocar

Embalar-te, pegar-te ao colo,
dar-te a mão e pela praia vaguear
chegar a casa, fechar os olhos, ver-te adormecer
sem pensar...


01/08/05

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